Se existe um lugar onde Ozzy Osbourne provavelmente se sentiria perfeitamente à vontade depois da meia-noite, cercado por monstros, morcegos, cemitérios e criaturas bizarras, talvez seja o Halloween Horror Nights.
E agora o Príncipe das Trevas possui seu próprio reino dentro da Universal Studios Hollywood.
Na noite de 3 de setembro, o Halloween Horror Nights 2026 abriu oficialmente suas portas na Califórnia, e uma das grandes atrações desta edição é “Ozzy Osbourne: Prince of Darkness”, uma enorme experiência de horror construída em torno da carreira solo de Ozzy.
Sharon e Jack Osbourne estiveram presentes na abertura. Mas a homenagem vai muito além da casa assombrada.
A Universal criou também o “Ozzy’s Bar”, espaço totalmente tematizado com comidas e bebidas cujos nomes transformam músicas e discos de Ozzy em um cardápio que provavelmente faria o próprio Madman rir. É uma das maiores celebrações já criadas em um parque temático em homenagem ao cantor.
SHARON E JACK ACOMPANHARAM O PROJETO
A participação da família Osbourne não aconteceu apenas na inauguração. Sharon e Jack estiveram envolvidos no desenvolvimento da atração ao lado da equipe criativa da Universal.
A colaboração ajudou a construir detalhes que dificilmente poderiam surgir apenas através de pesquisas sobre a carreira do cantor. Sharon forneceu fotografias pessoais que serviram de referência para elementos da infância de Ozzy, enquanto Jack compartilhou histórias que havia ouvido do próprio pai.
A ideia era evitar simplesmente colocar alguns monstros ao lado de referências a “Crazy Train” e chamar aquilo de homenagem. O objetivo era construir uma viagem pela mitologia de Ozzy.
TUDO COMEÇA EM BIRMINGHAM
A experiência de Hollywood começa onde a própria história de Ozzy começou: Birmingham — ou melhor, uma versão distorcida e sobrenatural dela.
Os visitantes chegam a uma estação ferroviária abandonada chamada “Osbourne Station”. O cenário remete à Inglaterra da infância de Ozzy, ainda marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial. Entre os escombros aparece uma criança usando uniforme escolar e máscara de gás.
A referência possui duas origens: de um lado está a infância real de Ozzy em Birmingham; do outro, imagens que os fãs reconhecerão do universo visual de “I Just Want You”. Então surge a plataforma. O número? Naturalmente, 666. E o trem não poderia ter outro nome.
Crazy Train.
TODOS A BORDO DO CRAZY TRAIN
O trem funciona como o mecanismo utilizado pela Universal para transportar o público através das diferentes fases da carreira de Ozzy. Existe até um novo personagem criado especificamente para a atração: Conductor Ozzy, uma versão fantástica do cantor transformado no condutor de seu próprio Crazy Train.
A partir daí, a realidade começa a desaparecer. Os visitantes entram em um universo construído a partir de músicas, capas de discos, personagens e elementos visuais acumulados durante mais de quatro décadas da carreira solo do Madman.
BEM-VINDO AO OSBOURNE ASYLUM
Uma das paradas leva ao “Osbourne Asylum”. Ali, o cantor aparece como uma espécie de cientista insano trabalhando em um laboratório de alquimia. Em determinado momento, utiliza uma misteriosa substância em si mesmo e começa a transformação.
Surge o Madman Ozzy. O visual mistura a estética de cientista louco com elementos inspirados em “Diary of a Madman”, segundo álbum solo de Ozzy, lançado em 1981.
E ENTÃO A LUA CHEIA APARECE
Depois do manicômio, o visitante chega a um cemitério coberto de névoa, túmulos e escuridão. Os fãs mais atentos podem observar referências às músicas de Ozzy gravadas nas lápides.
Então começa o riff de “Bark at the Moon”. Um uivo surge na escuridão e aparece Werewolf Ozzy, inspirado diretamente na transformação monstruosa apresentada na capa e no videoclipe de 1983.
FINALMENTE, O MORCEGO CONSEGUIU SUA VINGANÇA
Poucos acontecimentos da carreira de Ozzy foram repetidos tantas vezes quanto aquela noite de 20 de janeiro de 1982 em Des Moines, Iowa. Um morcego foi lançado ao palco. Ozzy acreditou que fosse de borracha, mordeu sua cabeça e descobriu da pior maneira possível que não era.
Quarenta e quatro anos depois, a Universal resolveu inverter os papéis. Dentro da atração de Hollywood existe um gigantesco morcego demoníaco animatrônico. Desta vez não é Ozzy quem morde o morcego. O morcego morde Ozzy.
A criatura arranca a cabeça do Werewolf Ozzy e depois a exibe diante dos visitantes. É grotesco, absurdo, exagerado e possui exatamente o tipo de humor macabro associado a Ozzy.
JACK ACHA QUE O PAI TERIA ADORADO
Em 2013, o Black Sabbath já havia recebido uma atração no Halloween Horror Nights, chamada “Black Sabbath: 13 3D”. Ozzy chegou a conhecer aquela experiência e adorou. Por isso Jack acredita que o pai teria se divertido enormemente vendo sua própria carreira transformada em uma casa de horror.
Há ainda uma ironia divertida. O homem que construiu uma carreira cercada por demônios, cadáveres, morcegos e lobisomens possuía seus próprios medos. Segundo Jack, Ozzy tinha medo de aranhas. E havia outra coisa capaz de destruir instantaneamente o Príncipe das Trevas: cócegas.
OZZY’S BAR: O MADMAN TEM SEU PRÓPRIO BAR
A homenagem não termina quando o visitante sai da casa. No Lower Lot da Universal Studios Hollywood, próximo à área de Jurassic World, foi instalado o “Ozzy’s Bar”. O espaço reúne luzes vermelhas, morcegos, decoração sombria e uma grande placa iluminada.
Mas é no cardápio que a brincadeira realmente começa. Praticamente tudo possui alguma referência à carreira do Madman.
BARK AT THE NAAN
“Bark at the Moon” virou comida. O “Bark at the Naan” é um taco feito com pão naan, recheado com frango tikka masala, repolho roxo, abacaxi, creme de limão e coentro.
CRAZY TRAIN CHICKPEA CURRY BURRITO
O Crazy Train também ganhou sua versão gastronômica: curry de grão-de-bico com coco, tomate, chutney de abacaxi, repolho roxo e creme de limão dentro de uma tortilla verde.
I JUST WANT YOU... & TACOS
Até “I Just Want You”, do álbum “Ozzmosis”, entrou na brincadeira. A opção combina Fritos, brisket com molho barbecue de alho negro, cebola roxa, coleslaw e coentro.
THE PRINCE OF DARKNESS CAKE
O Príncipe das Trevas também ganhou sobremesa: bolo de cenoura com mousse de cream cheese, coberto por ganache preta e mousse de chocolate. No topo, naturalmente, um morcego de chocolate.
BLIZZARD OF OZZ-ARITA
“Blizzard of Ozz” virou margarita. A bebida mistura tequila, blue curaçao, suco de limão, xarope e Sprite, com borda de açúcar preto e rock candy escuro.
BARK AT THE MOON MULE
A bebida utiliza vodka de uva e recebe uma borda com Pop Rocks de uva e amoras frescas.
ULTIMATE SIN-AMON
“The Ultimate Sin” foi transformada em uma mistura de uísque de canela, suco de maçã, açúcar mascavo temperado, limão e pó de beterraba, decorada com açúcar e outro morcego de chocolate.
MR. CROWLEY’S CURSE
Quem não bebe álcool também ganhou uma referência clássica, com whiskey sem álcool, limonada, xarope de amora e blue curaçao sem álcool.
HOLLYWOOD E ORLANDO NÃO SÃO IGUAIS
“Prince of Darkness” existe tanto no Universal Studios Hollywood quanto no Universal Orlando Resort, mas as duas casas não são simplesmente cópias.
Em Orlando, a narrativa apresenta Ozzy como o Príncipe das Trevas aprisionado em um reino sombrio. Seus seguidores trabalham para libertá-lo. Depois de escapar de uma masmorra, Ozzy atravessa ambientes inspirados em discos como “Diary of a Madman”, “Bark at the Moon”, “The Ultimate Sin” e “Black Rain”.
Hollywood segue uma narrativa mais ligada à jornada de Ozzy desde Birmingham e inclui elementos exclusivos — entre eles a vingança do morcego gigante.
A MÚSICA É TÃO IMPORTANTE QUANTO OS MONSTROS
As canções não funcionam apenas como trilha sonora: elas ajudam a construir os ambientes. “Crazy Train”, “Bark at the Moon”, “No More Tears” e faixas menos óbvias fazem parte do percurso. A equipe de áudio chegou a combinar diferentes músicas para criar novas texturas sonoras.
Assim, em vez de caminhar por salas enquanto sucessos tocam ao fundo, o visitante atravessa cenários construídos para transformar a própria música em horror visual.
UMA HOMENAGEM QUE GANHOU OUTRO SIGNIFICADO
O projeto começou quando Ozzy ainda estava vivo. A família participou de seu desenvolvimento e Jack já estava envolvido muito antes da inauguração.
Mas Ozzy morreu em 22 de julho de 2025. Quando a atração finalmente chegou ao público, aquilo que havia começado como uma celebração de sua carreira adquiriu inevitavelmente outro significado. Tornou-se também uma homenagem póstuma.
OZZY SEMPRE PARECEU FEITO PARA O HALLOWEEN HORROR NIGHTS
Poucos artistas possuem uma história visual tão naturalmente compatível com o evento: morcegos, cemitérios, demônios, manicômios, lobisomens, alquimistas, trevas, cruzes e monstros.
Durante décadas, Ozzy transformou elementos tradicionais do horror em parte de sua identidade visual, quase sempre com humor misturado ao terror. A atração é absurda, exagerada, sombria, engraçada e completamente consciente de sua própria loucura.
O PRÍNCIPE DAS TREVAS GANHOU SEU PRÓPRIO REINO
Mais de um ano após sua morte, Ozzy continua aparecendo de maneiras que provavelmente nem ele poderia ter previsto. Sua música continua tocando, novas histórias continuam surgindo e sua família continua preservando seu legado.
Agora milhares de pessoas entram todas as noites em um universo construído a partir de sua mitologia. Algumas embarcam no Crazy Train. Outras encontram o lobisomem de “Bark at the Moon”. Algumas assistem a um morcego finalmente se vingar de um acontecimento de 1982. E depois ainda podem terminar a noite tomando uma Blizzard of Ozz-arita no Ozzy’s Bar.
O Halloween Horror Nights não tentou transformar Ozzy em algo que ele nunca foi. Fez exatamente o contrário: pegou tudo aquilo que durante décadas tornou o Madman tão peculiar e aumentou o volume até 11.
O homem se foi.
Mas o Príncipe das Trevas ganhou seu próprio reino.
